Zoe

É refrescante quando ligamos a televisão e começamos a ver um filme sem saber nada sobre ele. Isso é algo raro de acontecer hoje em dia, com a quantidade de informação disponível online e trailers acessíveis com um simples click. Por um lado ainda bem pois evita que percamos tempo com muito lixo, por outro lado também estraga algumas surpresas. Fiquei contente de só ter visto o trailer de “Zoe” após ver o filme pois acho que conta demais … mas vou tentar criticá-lo sem estragar a história (ainda que ela seja meia estragada por natureza).

Zoe é um filme sobre um futuro próximo em que um cientista chamado Cole (Ewan McGregor) e a sua assistente Zoe, trabalham num laboratório/empresa que tenta melhorar os relacionamentos humanos. Fá-lo a partir de três abordagens consideravelmente distintas:

  • A primeira, a mais “terra a terra”, surge a partir dum questionário em que é calculado o grau de compatibilidade dum casal.
  • A segunda, parte da utilização de pessoas sintéticas praticamente indistinguíveis dos seres humanos e “programadas” com uma inteligência artificial incrivelmente realista mas, ao mesmo tempo, supostamente incapazes de trair ou de alguma vez deixar um potencial parceiro humano ficar mal.
  • A terceira é um comprimido que desperta reações químicas equivalentes a uma sensação de paixão intensa, dum amor à primeira vista.

Além destas ideias e diferentes abordagens ao amor ainda levanta questões existenciais dos próprios seres sintéticos, se lhes é permitido sentir como uma pessoa real e ter os mesmos direitos, etc… Cada um destes conceitos é uma base viável para uma história, mas a mistura de todos…bem, resulta numa espécie de salada de grelos.

O filme gira à volta de dilemas interessantes, é envolvente e mantém-nos colados ao ecrã mas, ao mesmo tempo, é tão estranho como o enredo que propõe. Faz-nos Sentir tão desconcertados na história como Cole e Zoe no seu romance e, apesar disso ser bom até certo ponto, também é mau porque torna-se evidente que o enredo não tem uma direção bem definida. Entusiasma inicialmente mas acaba por desiludir, no fundo como uma qualquer paixão fugaz. É um pouco como uma montanha russa de emoções ainda que a sensação que predomine seja a estranheza mais do que o entusiamo.

Se querem um filme desconcertante sobre o amor num futuro próximo aconselho o Her, de Spike Jonze e protagonizado por Joaquin Phoenix. Se preferirem arriscar com Zoe, fica a nota:

3/5 formas falhadas de encontrar o amor

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s