25 Abril de 2020

Quando me propus fazer a crítica a tudo não me tinha passado pela cabeça fazer também comentário ou crítica política… mas tudo é mesmo tudo!

O festejo do 25 de Abril deste ano, ou melhor, o desejo de festejo, dividiu o povo português. Num extremo temos aqueles que acham que comemorar o 25 de Abril é algo essencial para a nossa nação e que por isso tem que ser feito como “sempre” foi feito. No outro, temos os acham que em tempos de contenção e isolamento é preciso dar o exemplo e esse exemplo deve começar por quem nos governa.

Os argumentos do lado a favor passaram por:

  • Se mesmo com Corona Vírus há reuniões semanais na Assembleia da República então não se haveria de fazer  a reunião numa das comemorações políticas mais importantes do ano?
  • Quem não quer que se comemore o 25 de Abril é um fascista mascarado e nunca quis que se comemorasse 25 de Abril

Os argumentos do lado contra incidiam em:

  • Se toda gente tem que estar confinada em casa e quase nem é possível participar num momento tão delicado como o funeral dum ente querido,  porque está a classe política a festejar quando podia dar um bom exemplo de que a contenção é para todos?

E assim se passou a semana em debates e petições. O 25 de Abril entretanto chegou e passou e o que fica para contar afinal?

A comemoração foi feita na Assembleia da República com um número notoriamente baixo de presenças entre partidos e convidados… e ainda bem! Os números de convidados  inicialmente anunciados foram descendo de dia para dia e imagino que isso tenha acontecido sobretudo pelo bom senso de quem decidiu não estar presente. Mesmo entre alguns dos que foram ficou a nota de que participariam apenas por dever, mas que estavam contra o evento. Isto vem simultaneamente dar razão a ambos os lados mas vá lá que no fim de contas os participantes pareceram estar suficientemente distantes uns dos outros e, por isso, em relativa segurança.

Penso que pela primeira vez na minha vida ouvi os discursos de 25 de Abril pois estava curioso no que dali poderia sair e, além disso, estava trancado em casa sem mais nada que fazer. Muitas das palavras ali ditas imagino que sejam pura reciclagem / plágio dos discursos anualmente ditos, “liberdade”, “25 de Abril sempre”, etc e tal… e por isso achei mais interessantes as intervenções mais centradas no contexto actual.

O nosso simpático Presidente Marcelo rematou com o discurso final tentando acabar com as divisões de opiniões e marcando uma posição definitiva, dizendo algo como: o 25 de Abril é essencial, tem que ser celebrado e se não o celebrássemos é que estaríamos a dar um mau exemplo. Na minha opinião, esta intervenção foi bastante infeliz pois a sensação que ficou é que tomou completamente partido de quem estava a favor e criticou fortemente a atitude de quem estava contra… ora então o Presidente de todos os portugueses ficou do lado de apenas parte deles e, arriscaria dizer, sobretudo do lado da classe política favorável à celebração nestes moldes, pois parece-me que se isto fosse uma “escolha do povo”, a maioria optaria pela não celebração deste formato de “festa”. 2/5 selfies com o povo

Mas quem saiu pior na fotografia? Ferro Rodrigues! Caro Presidente da Assembleia da República, permita-me que lhe diga que quem vê caras não vê corações e que não devemos julgar um livro pela sua capa… se calhar o senhor até é uma jóia de pessoa, mas durante esta semana (e não só) demonstrou que é uma pessoa um bocadinho (ou até muito) arrogante que acha que “eu quero posso e faço” e que ainda goza com as normas de segurança proclamadas na própria assembleia dizendo “então nós íamos mascarados para o 25 de Abril?”. 0/5 cravos na ferradura.

O 25 de Abril é um marco da história portuguesa mas este terá sido o mais mediático dos últimos anos e não pelas melhores razões. Como ponto positivo temos o civismo do povo que ficou a regar os cravos em casa e a participar de formas alternativas, online. Este seria um bom ano para marcar pela diferença e mostrar que a classe política é de facto representativa da vontade do povo e solidária com ele. Para mim, e ao contrário da posição no nosso Presidente, o exemplo que passou da classe política foi mais um “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”. Ninguém sugeria que não existisse qualquer tipo de celebração do 25 de Abril mas deveria ter sido ainda mais apropriada ao momento que vivemos do que realmente foi.

Mais ou menos espontaneamente surgiram celebrações mais enquadradas com o que considero ser apropriado para esta altura que vivemos. Anónimos ou artistas nacionais, nas suas casas em acções simbólicas com maior repercussão nas redes sociais do que com o frete do costume na Assembleia da República. 2/5 lutadores pela liberdade com as mãos por desinfectar

Segue-se o 1 de Maio… também temos que festejar este agora da forma tradicional não é?

Não!

Festejem se querem, mas por favor, façam-no em casa!

Um comentário em “25 Abril de 2020

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