#Estudar no Sofá

A vida mudou com o Covid-19. De uma “ponta” do mundo à outra, de adultos a crianças, todos tivemos que nos adaptar.  Como a vida não podia simplesmente parar e  os miúdos não poderiam continuar indefinidamente a ter as maiores Férias Grandes da sua vida, venha daí a telescola ou, para dar uma de mais modernaço, o #estudoemcasa.

Certamente a RTP Memória vive dias de glória com as maiores audiência que alguma vez deve ter tido com as televisões de muitos dos lares nacionais ligadas nesse canal, na esperança que os estudantes do 1º ao 9º ano se mantenham atentos ao grande ecrã e não aos pequenos (dos telemóveis e tablets).

Posso falar com maior conhecimento de causa apenas das aulas dedicadas ao 1º e 2º ano visto que são essas que a minha filha está a assistir. São as primeiras da manhã, o que é compreensível visto que os miúdos mais novos têm tendência para acordar mais cedo mas, desde que começou a telescola, a minha filha está sempre a dormir que nem uma pedra até praticamente às 9 da manhã. Tenho então que acordá-la e levá-la  toda despenteada e cheia de remelas nos olhos para a mesa de trabalho que instalamos frente à televisão (para parecer mais uma sala de aula, senão no sofá ela adormecia novamente).

Tal como na vida real há professores com mais jeito do que outros e isso torna a dinâmica das aulas mais ou menos interessantes / motivantes. Cada aula é gravada quase como se fosse um programa em directo (apesar de não o ser), ou seja, os pobres professores têm que dar a aula toda direitinha num take só, independentemente do que possa correr menos bem (no fundo, tal como acontece nas aulas normais). A régie lá vai mudando os planos, acompanhando o discurso e dando realce a PowerPoints, esquemas ou objectos que os professores mostrem. A sensação que fica é que a maior parte do trabalho é mesmo responsabilidade dos professores que parecem preparar a aula à sua maneira  e por seus próprios meios (mediante conteúdos programáticos pré-estabelecidos é claro).

Na primeira semana de aulas a história A Casa da Mosca-Fosca foi usada como um tema geral recorrente do 1º e 2º ano, nas aulas de Português, Matemática e Estudo do Meio. Certamente a intenção era boa, apresentando uma linha condutora entre as várias disciplinas. Apesar disso pecou pelo excesso e, pela amostragem que pude recolher, ao fim da semana a criançada já não podia ver a Mosca Fosca à frente.

Uma coisa que não acho muito bem é o facto de agruparem dois anos lectivos… isso significa que o ano mais avançado vai estar essencialmente quase sempre a fazer revisões, caso contrário os do ano anterior não perceberiam nada. O cumprimento e acompanhamento dos planos de estudos em vigor seria mais viável se todos os anos lectivos fossem independentes, mesmo que isso implicasse menos aulas por uma questão de gestão do tempo de programação do canal.

Nota-se algum nervosismo nos professores, é uma situação a que não estão habituados, duplamente! Por um lado por estarem a falar para o boneco, sem feedback direto dos estudantes (podiam adicionar uns ruídos de fundo, no género dos risos que costumavam aparecer nas séries cómicas). Por outro, por saberem que estão a ser vistos por uma turma do tamanho de cada faixa etária em Portugal. Pior que isso, os pais e outros curiosos também vão assistindo e já apanhei vários posts no Facebook a gozar com deslizes dos professores, comentando às vezes sobre o estado do ensino em Portugal… e uma vez online, para sempre online! Espero que o que pagam aos professores compense o risco do gozo eterno que podem sofrer, pois realmente são vítimas fáceis.  Aos adultos que assistem, se não gostam destas aulas paciência, o público-alvo não são vocês! Imaginem, seja lá qual for a vossa profissão, terem que estar a transmitir o vosso trabalho, sem edição, na televisão nacional. Isso é aterrador e por isso, bravo teleprofessores, têm o meu respeito!

Até gosto de dar uma olhadela de vez em quando e recordar e até aprender algumas coisas.  Fico positivamente surpreendido ao ver que o ensino de hoje em dia é bastante mais emocional e moderno.  Tenho até inveja pois a primeira recordação que me vem à cabeça da escola é ter que decorar as linhas de caminho de ferro de Portugal inteiro… e para quê? Para além de já não me lembrar de nada, a maioria já foi encerrada!

4/5 Muito Bons – Dado o tempo em que este projecto foi posto em marcha posso dizer que a minha apreciação geral do #estudoemcasa é bastante positiva. Não esquecer também que a telescola é, para a maioria dos estudantes, apenas um complemento às aulas dadas online pelos seus professores habituais, professores esses que também merecem os parabéns pelo seu esforço e rápida adaptação aos novos meios digitais (pelo menos os que sabem ligar um computador).

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