A minha vida até aqui

17 de Agosto. Este é o meu aniversário, já é o trigésimo sétimo e é uma boa oportunidade para fazer a revisão crítica do que até aqui vivi.

A génese

Bem, tudo começou certamente numa noite animada para os meus pais visto que sou o último de 4 irmãos e que já fui um imprevisto… ou será que nem foi numa noite? É melhor nem pensar nisso!

A Infância

Tive uma infância bastante inocente e feliz e estou grato por isso, acho que não devemos ter pressa nenhuma em crescer. Fui um miúdo calmo e tímido mas bem disposto e com boa capacidade de me entreter sozinho nos mundos que criava. Acho que sempre me senti um bocadinho artista e lá para os 5 ou 6 anos já fazia desenhos que se destacavam e isso era algo que me dava bastante prazer.

A adolescência

A minha adolescência trouxe uma progressão natural  da minha maneira de ser e continuei a ter o gosto por desenhar e criar histórias, algumas dais quais de que me orgulho bastante até. Por outro lado tive um bocado os meus “dramas de adolescente” em que a vida parecia toda mal, principalmente por me sentir um bocado patinho feio sem sorte nos amores. Acordava muitas vezes com a neura a sentir-me um desgraçado e as bandas que ouvia (como os The Cure, Radiohead, Sigur Rós entre outros) também contribuíam para o meu estado de espírito mais tristonho. Apesar disso tive sempre um grupo de amigos forte e  coeso que me trouxeram  muitos momentos divertidos e o balanço final é, sem dúvida, positivo. São dos anos que recordo com mais saudade e que permitiram criar as bases para o que me viria a tornar daí em diante.

A juventude

O final do liceu e a universidade foram, no geral, muito divertidos com uma série de aventuras e desventuras, desgostos amorosos mas também sucessos. São tempos muito engraçados e nostálgicos e muitas vezes penso que bloqueei nos meus 19 anos, o meu complexo de Peter Pan não me permite sentir mais velho que isso. Fiz provavelmente os melhores projetos criativos da minha vida e senti-me esperançoso no meu futuro artístico/profissional.

Esta fase foi marcada também pela estabilização da minha vida amorosa quando conheci a minha esposa que me transformou numa pessoa bastante mais pacata e caseira e me ajudou a ter um maior sentido de responsabilidade.

Progredi estudos com o Mestrado e entrei no mercado de trabalho numa empresa que me permitiu trabalhar no que realmente me entusiasmava e que ainda por cima proporcionou óptimos momentos de diversão e amizade mas, como revés da medalha, fez-me perceber não se vive apenas de sonhos e que era hora de ser um bocadinho mais adulto e rumar por um caminho mais seguro e estável.

A vida adulta

Casei, doutorei-me, tornei-me professor, tornei-me pai mas será que me tornei um adulto de verdade?

Não totalmente… Para o bem e para o mal ainda continuo a ter um pouco alma de criança com vontade de criar “arte” nas suas diversas formas, mas comecei a ter os pés mais assentes na terra e a ser menos optimista… mais realista provavelmente. Alcancei coisas importantes pessoal e profissionalmente mas também perdi um bocado a ilusão de deixar uma grande marca no mundo com uma obra criativa aclamada pelo público e pela crítica e comecei a viver um pouco mais conformado com a rotina do dia-a-dia…

As minhas maiores criações são, sem dúvida, os meus filhos e obviamente não posso tomar todo o crédito destas obras primas mas é verdade que eles saem bastante a mim! Trazer duas novas vidas ao mundo certamente já é a maior das marcas que se pode deixar.

Nesse processo de tornar-me adulto sinto que tornei-me uma pessoa um pouco mais aborrecida… isso é algo que está mais ou menos implícito em ser adulto e pai não?

Todas as responsabilidades e tarefas do dia-a-dia levam-me a ser o “marido de”, “pai de”, “professor de”, “diretor de” e a ser menos apenas “eu próprio”.

Mas continuo a ter os meus sonhos e, mais que grandes projectos, tenho hobbies (escrever aqui é um deles). Projectos de maior envergadura passaram a ser não só meus mas mais partilhados em família (o que também é saudável).

No fundo, no fundo, continuo a ser o mesmo rapaz que faz por ser boa pessoa, meio tímido, desastrado e desajeitado. Ainda com um certo jeito e aparência de miúdo mas já com uma barriguinha, uma ou outra branca e dores nas articulações.

Neste último ano, o de 2020, passei pelo que todos estamos todos a vivenciar. Um período histórico que alterou a nossa forma de viver, em alguns aspectos possivelmente até de forma permanente. Para alguém que se tornou bastante caseiro e pouco adaptado à vida em sociedade, o confinamento não foi tão difícil assim. Apesar de todas as adversidades penso que este foi um bom ano para rever um pouco as prioridades e a forma de estar na vida. A qualquer momento tudo pode mudar por isso aproveitemos bem cada dia e façamos o que nos faz felizes, seja com as pequenas ou com as grandes coisas.

Classifico a minha vida até aqui com uma pontuação de 4/5. Grato por tudo de bom e mau que passei mas sempre com vontade de estar ainda um bocadinho melhor porque feliz a 100% só mesmo um pateta feliz

Um comentário em “A minha vida até aqui

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