O ano que nos deu 2 a 0 (duas vezes)

2020 para o Mundo

O ano de 2020 será certamente um ano para esquecer mas que, ironicamente, dificilmente nos sairá da memória. Até Março parecia que este ia ser um ano como todos os outros mas  rapidamente percebemos que, quase de um dia para o outro, tudo pode mudar.

Passamos todos por confinamentos, novas regras de higiene e novas rotinas e quase parece que estamos a viver dentro dum enredo dum filme apocalíptico (mas, felizmente para nós, consideravelmente mais aborrecido).

Vidas foram perdidas, a economia está em frangalhos e, apesar de terem surgido uma série de vacinas em tempo recorde, será que são mesmo seguras? Será que só eu é que me lembro do enredo do filme I am Legend em que uma vacina para o cancro não foi devidamente testada e transformou toda a gente em zombies? É óbvio que a comunidade científica teve um especial empenho para alcançar resultados rápidos e que a tecnologia e conhecimento atuais certamente ajudam a que isso aconteça, ainda assim, só com o tempo é que saberemos, com certeza, a verdadeira eficácia destas vacinas e potenciais efeitos secundários.

Enfim… sinceramente, com vacina ou sem ela, a minha convicção é que ao longo do próximo ano a normalidade comece a voltar, ainda que, pelo que temos visto, sejamos capazes de nos adaptar a novas normalidades.

2020 foi muito marcado também pelas fake news, sejam relacionadas com o vírus, com a política americana ou com outra coisa qualquer. É cada vez mais evidente que não podemos acreditar em tudo que vemos na Internet e, francamente, nem na televisão. Se há muitos erros jornalísticos resultado de falta de profissionalismo ou de pesquisa, há também muita falsa informação a circular deliberadamente e isso é algo assustador.

É evidente que este ano só poderá ter uma péssima classificação, certo? Para o mundo foi um ano tipo: 1/5

2020 para Mim

Não querendo parecer insensível com toda a gente que sofreu em 2020, acho que tenho o direito de, neste meu blog pateta, tentar ver o lado positivo da coisa!

Toda a gente se queixava de passar pouco tempo em casa, com vidas frenéticas, stress, sem tempo para os filhos, etc. O confinamento resolveu, de uma assentada só (ainda que provisoriamente) todos esses problemas. Muitos de nós vimo-nos forçados a ficar em casa e a reinventar as nossas rotinas. No meu caso, passei momentos muito giros com os meus filhos, em que os ia entretendo fazendo pequenos filmes com eles, para depois partilhar e entreter e animar também o resto da família.

Claro que, no revés da medalha, confirmei a minha suposição de que trabalhar com os filhos em casa não é tarefa fácil… às vezes é mesmo de ficar com a cabeça em água! Fora isso eu até adoro o teletrabalho! É fantástico o facto de não se perder tempo em viagens, reuniões presenciais e ter que lidar com pessoas de carne e osso, frente a frente. Além disso consegui-me adaptar bastante bem a dar aulas online (coisa que receava inicialmente).

Andar de máscara, desinfetar constantemente as mãos e ser obrigado a permanecer em casa parecem coisas horríveis mas, para pessoas complexadas, germofóbicas, introvertidas e amantes da vida caseira, são, secretamente, coisas pelas quais ansiávamos toda a vida.

Claro que toda a gente no seu perfeito juízo quer deixar de ter que usar máscaras mas, acho que as transformações forçadas que ocorreram rumo a um mundo ainda mais online são positivas e serão uma evolução positiva para ficar entre nós no pós-pandemia.

Esta nova forma de vida fez-me também cuidar mais de mim próprio, não propriamente num sentido físico (ainda que tenha tentado mas sem grande sucesso) mas de bem estar emocional. Comecei a conseguir equilibrar melhor o tempo entre trabalho e lazer e arranjar mais tempo para mim próprio e para pequenas coisas que me fazem feliz. Seja escrever aqui umas patetices e desenhar uns sarrabiscos, tocar guitarra (coisa que há anos que não fazia) ou construir Legos (coisa que ainda há mais anos não fazia). Agora tenho uma série de hobbies e guilty pleasures que não contribuem em nada para o bem estar global, mas contribuem em muito para o bem estar pessoal. Além disso, até agora escapei das consequências mais nefastas dos acontecimentos dramáticos deste ano e, por isso, o meu 2020 não foi assim tão mau 4/5.

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