WandaVision

Já tenho uma subscrição da Disney + e podia vir aqui dizer que a principal razão para a ter era que queria que os meus filhos pudessem assistir ao vasto catálogo de conteúdo infantil da Disney, mas estaria a mentir, a principal razão foi mesmo para ver o WandaVision.

Esta série de 9 episódios passa-se depois dos acontecimentos do filme Avengers: End Game mas o engraçado é que pode ser apreciada por alguém que não ligue minimamente às sagas da Marvel ou a  super heróis e falo por experiência própria pois, apesar de eu gostar desses filmes, a minha esposa não liga minimamente a este universo temático e cinematográfico. Já a consegui levar ao cinema uma ou outra vez a ver um Spider-Man, um Avengers e o Watchmen mas apesar dos músculos e abdominais bem definidos destes super seres, ela nunca saiu dos filmes rendida aos encantos destas personagens (ainda bem, pela parte que me toca!)

Mas do WandaVision ela gostou!

A série tem uma premissa extremamente estranha. Wanda e Vision são dois super heróis que, por razões desconhecidas, se encontram a viver dentro de uma série cómica (sitcom) dos anos 50, a preto e branco, com o tipo de realização e interpretação que esperaríamos numa série da época. O ambiente é inocente e leve e os momentos cómicos surgem sobretudo de trocadilhos entre o facto de Vision ser um androide (um robot mesmo e não o sistema operativo da Google), de Wanda ter poderes telecinéticos e de ver como se adaptam a uma vida tranquila numa cidadezinha americana. A inspiração mais direta deste primeiro episódio é o  clássico The Dick Van Dyke Show.

Divertimo-nos os dois, apesar de ser uma série sobre super-heróis, essa temática estava bem integrava neste esquema de série cómica antiga mas, após um episódio assim, por onde avançaria a narrativa? Seriam todos os episódios iguais?

Na semana seguinte apercebemo-nos da estrutura que iria ser seguida. Cada episódio traria uma referência sequencial a uma nova década de televisão e uma das inspirações mais óbvias para mim foi a de Casei com uma Feiticeira (Bewitched) que assenta como uma luva com a Personagem de Wanda.

Mas de episódio em episódio vamo-nos rapidamente apercebendo que a vida daquele par não se ficará pelos momentos  românticos e cómicos que vivem juntos, tem que haver algo mais estranho por trás de tudo aquilo até porque, MINI SPOILER ALERT – da última vez que vimos Vision nos filmes ele estava morto, ou melhor, desativado.

A certa altura começam a aparecer uns apontamentos de cor num mundo a preto e branco, o que me fez lembrar logo o excelente filme Pleasantville mas, em vez disso simbolizar um momento feliz, a sensação que nos fica é de inquietação e aguça-nos a curiosidade de que raio é que se estará a passar ali, curiosidade essa que só séries como o Lost me fizeram sentir e me deixaram em pulgas à espera do episódio da semana seguinte…. Isto tudo com a vantagem de sabermos à partida que tudo ficaria resolvido em 9 episódios e não 6 temporadas.

Não irei contar mais sobre a série em si mas posso dizer que fiquei  satisfeito com o desenrolar da trama. Quase todos os mistérios tiveram a sua resposta e apenas a aparição de uma certa personagem foi uma desilusão pois parecia apontar para um momento épico para os fãs da banda desenhada mas veio-se a revelar só uma piscadela de olho (ou mais um pontapé no cú) para os mesmos.

Os últimos episódios já não nos trouxeram referências às sitcoms pois já não haveria mais décadas a explorar e era necessário explicar o que afinal se passava ali, acabando a história. Então, só este último pedaço é que se aproxima mais ao seu material de origem, às aventuras de super-heróis (e super vilões). O final é assim bem mais convencional do que todo o resto da série o que, por um lado é compreensível mas, por outro, desilude ligeiramente pois o caminho até esse ponto é tão forte e criativo que é uma pena que a sua conclusão apesar de não ser má, não tenha o mesmo impacto.

Mas então será que agora já convenci a minha esposa a ver todos os filmes do universo cinemático da Marvel? Nem pensar, ela continua na dela. Gostou da série mas revirou os olhos e adormeceu quando, perto do fim, os heróis fizeram o que têm que fazer, voar e disparar raios pelos mãos.

4/5 – Gostei bastante e penso que tem o potencial de ser uma série de culto, dou os parabéns à Disney/Marvel por arriscar e ter a coragem de fazer uma série tão “fora da caixa”, tão divertida como misteriosa.

3,5 /5 – “Pela originalidade dos primeiros episódios senti-me mais atraída por este universo de super-heróis mas chegando aos últimos relembrei porque é que não aprecio este género…. talvez um dia chegue lá… ou não!” (avaliação da minha esposa)

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