música para os meus ouvidos

Desde pequeno, ouvir música sempre foi uma coisa super importante para mim. Como uma banda sonora da minha vida, as bandas que fui conhecendo e ouvindo definiram várias fases da minha vida. Tive sempre um gosto sempre bastante específico e raramente segui o que passava na rádio e só em idade adulta comecei a perceber que muita gente gosta destas bandas também.

Quais são as bandas que marcaram a vossa vida?

Primeira banda que me ficou na cabeça, aí pelos 5 anos de idade. Tenho recordação de ter um concerto deles gravado no vídeo pelas minhas irmãs e de ficar fascinado com a alegria das músicas (e também com as meninas americanas jeitosas pois era uma gravação de um concerto na praia). Também nessa altura prestava bastante atenção aos videoclips da Samantha Fox e da Sabrina mas lembro-me mais dos vídeos que das músicas (miúdo taradeco desde cedo).

Primeira banda que me fez começar a ouvir e apreciar verdadeiramente música. Ainda nem tinha 10 anos e já era bem fã da onda grunge e comecei logo aí a deixar crescer o cabelo. Nessa fase ouvia também Smashing Pumpkins mas curiosamente nunca apreciei os Pearl Jam, o que mostra que apesar de ter seguido várias influências musicais dos meus irmãos, também fui fazendo sempre a minha seleção criteriosa.

Por volta dos 13/14 anos começou a minha fase um pouco mais dark com o filme The Crow Vi  e os The Cure, econcretamente o álbum Wish. Esta foi a minha banda sonora para os dias de maior neura adolescente com músicas como Trust e para ver um lado mais esperançoso da vida com outras como Doing the Unstuck. Por essa altura comecei a ouvir muita música de rock alternativo e da cena brit pop dos The Smiths aos Suede, Pulp e claro, aos Radiohead.

Comecei a ouvir Radiohead no meu 8º/9º ano com e esta banda foi o primeiro elo de ligação com uma grande amiga minha até aos dias de hoje. Depois dos primeiros álbuns já excelentes, Ok Computer foi uma obra de arte fenomenal de crescimento musical e, daí em diante, os Radiohead tornaram-se ainda mais experimentais mas, na minha opinião, um pouco menos entusiasmantes e algo depressivos (e eu até tive a cota parte de música melancólica também com os The Cure e os Sigur Rós mas já há bastante tempo que ando numa de ouvir música mais para diversão e não para introspeção).

Ouvi-os pela primeira vez ao fazerem a primeira parte de um concerto dos Violent Femmes no Coliseu do Porto e apesar da banda principal ter feito uma excelente performance, a grande surpresa foram mesmo os Ornatos e o seu álbum Cão!. Músicas super enérgicas, letras de uma adolescência rebelde e divertida. Como bónus, a voz do Manel Cruz que soa algo semelhante à minha e por isso sempre foi um enorme gosto cantar as músicas todas da banda. Só bem mais tarde é que toda a gente começou a gostar deles e a ser uma banda verdadeiramente popular e orgulho-me de ter sido logo um fã na primeira vaga.

Tal como com os Ornatos, conheci os Muse logo ao primeiro álbum e fui vê-los ao vivo num modesto concerto no Hardclub do Porto… vejam só, onde eles chegaram, anos mais tarde com espetáculos megalómanos com estágios a transbordar. No início fizeram-me lembrar um bocado a primeira fase dos Radiohead com boas guitarradas e pianadas e uma voz extraordinária mas ganharam o seu próprio estilo e, no álbum seguinte, com músicas como Newborn e Plug In Baby, tornaram-se uma banda verdadeiramente memorável que acompanhou o meu fim de liceu e ainda é bastante ativa hoje em dia.
Ao contrário das bandas que referi anteriormente, os Arcade Fire não foram logo um amor à primeira vista, ou melhor, à primeira audição porque a princípio não achei muita piada à voz do vocalista… mas tudo mudou quando os ouvi no meu dia de anos em Paredes de Coura. Ao primeiro grito em coro a plenos pulmões de “Wake Up” a banda abriu o concerto e conquistou de imediato toda a plateia numa experiência quase orgásmica, totalmente memorável e, a partir daí, passei a adorar a banda (ainda que os álbuns mais recentes já sejam muito menos inspirados daquela emoção avassaladora, se calhar preciso de os ouvir ao vivo novamente).
Sempre gostei de uma boa rockalhada divertida e enérgica e os Artic Monkeys proporcionaram-me precisamente isso. Estava a ouvir Artic Monkeys quando soube da vitória no meu primeiro concurso de design (e o meu primeiro rendimento profissional) e sempre associei a banda a um sentimento de feel good. Durante anos a fio praticamente só ouvi esta banda que em cada álbum ia-se transformando de alguma forma mas mantendo a sua essência ora com músicas mais alegres ora mais negras mas sempre bastante enégicas. Infelizmente o mais recente Tranquility Base Hotel & Casino não é nada disso, é uma valente seca.

Depois de uma década quase sem ouvir música nova, de repente dá-se uma transformação musical na minha vida que já contextualizei na crítica ao último álbum desta banda mas, resumidamente: depois de me tornar pai e de saber de trás para a frente as músicas dos Caricas e Xana Toc Toc, a minha estável vida de marido, pai e adulto responsável necessitava de um escape emocional… além disso estava a acabar o meu doutoramento e tinha que fazer a revisão dos textos sem adormecer. Solução? Babymetal! Por sugestão dos meus alunos, entrei no estranho mundo do Kawaii Metal, um metal/rock japonês que mistura instrumentais pesados e sonoridades pop com vozes fofas de adolescentes. A minha experiência anterior com metal era apenas com os System of a Down e com uns bocadinhos de Slipknot mas daí para cá praticamente só ouço bandas japonesas que fazem resultar a estranha mistura do suave e do pesado (é tipo como comer uma sobremesa quente e fria). Babymetal, Maximun the Hormone, Band Maid e outras bandas que primeiro se estranham mas rapidamente se entranham são uma  mistura muito divertida de energia, boa disposição e peso.

Por um lado esta última é a transformação musical mais extrema da minha vida mas, por outro, é mais ou menos um full cirle, visto que o primeiro CD que comprei, aí com uns 13 anos foi das The Breeders, também uma banda de raparigas rockeiras. É neste ponto que estou musicalmente, vamos a ver onde os meus ouvidos me levam daqui a mais 10 anos.

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