A vida é um jogo

Sempre adorei videojogos, tanto que a minha vida profissional até gira à volta deles por isso, qui vai uma retrospetiva da minha vida em jogos. Mais uma vez esta lista não corresponde à data de lançamento dos jogos em si mas a uma data aproximada de quando foram importantes para mim. Além disso, cada título mencionado não significa necessariamente que sejam estes os meus jogos preferidos de sempre entre inúmeros que joguei, mas são certamente representativos de diferentes fases de minha vida como jogador.

O primeiro jogo que me lembro de alguma vez ter visto e jogado foi o PONG, em cada de um primo. Lembro-me de ficar logo fascinado com aquela maquineta e na magia de não apenas ver mas interagir com o que se passava na televisão. Só por isso este jogo merecia uma menção especial mas, como não temos espaço para tudo, serve apenas de introdução para contar que em minha casa tivemos como primeiro computador o ZX Spectrum e uma carrada de jogos dos quais o Manic Miner era o que mais se destacava. Apesar de ser super simples tal como todos os jogos da época, tinha um charme inquestionável e era super desafiante além de incrivelmente “aleatório” nas suas escolhas temáticas com uma miscelânea de inimigos que ia de pinguins a telefones e sanitas (de tudo se encontrava naquelas minas).

A minha primeira consola de videojogos foi a Mega Drive que veio com um bundle de 4 jogos sendo que Streets of Rage foi, sem dúvida o mais jogado do conjunto e um jogo que ainda hoje em dia me dá bastante prazer de revisitar de tempos a tempos.. Sozinho ou com outro jogador enchemos de porrada tudo que se mexe (calma que são só ruas cheias de maltrapilhas) é uma alegria.

Outro género diferente de lutas de rua, desta vez de um contra um. Joguei (e ganhei) imenso este jogo com o meu irmão e cresceu em mim uma predileção de vários anos por jogos de luta com outros títulos em destaque como Mortal Kombat, Fighters Megamix, Dead or Alive e Tekken,

Surge aqui um novo género favorito, os jogos de survival-horror! Resident Evil foi memorável fosse pelo seu ambiente terrorífico fosse pelo sua qualidade de filme série-b. Foi o primeiro de muitos jogos de terror que adquiri de seguida desde os restantes jogos dessa série a outros como Silent Hill (especialmente terrorífico), Alone in the Dark (terrorífico porque funcionava muito mal no meu PC) e Dino Crisis.

A primeira vez que joguei este jogo nem consegui dormir descansado, passei a noite a sonhar que trepava nas costas de monstros gigantes tentando encontrar o seu ponto fraco, isto é sinal que Shadow of Colossus é algo verdadeiramente marcante. Uma aventura num cenário praticamente vazio em que decidimos caçar criaturas (ameaçadoras?) num conjunto de boss battles épicas.

Apesar de sempre ter sentido fascínio pelos jogos do Super Mario, o meu primeiro jogo desta série já foi bastante tardio (New Super Mario Bros na Nintendo DS) e confirmou a sua mestria de ser um dos exemplos mais puros e polidos do que é um bom videojogo. Super Mario Galaxy mantem-se fiel a este princípio mas eleva as coisas para a estratosfera. É um incrível exemplo de pura jogabilidade e imaginação implementando de forma genial o conceito de níveis esféricos e muitas outras ideias fora da caixa. Sinceramente, mesmo depois de outros bons Marios 3D que se lhe seguiram, acho que a Nintendo terá muita dificuldade em alguma vez superar este jogo.

É um jogo pequenino e simples mas diferente e cheio de personalidade. É quase um desafio de engenharia em que pegamos numa série de bolinhas gosmentas e tentamos construir pontes ou caminhos com elas até um tubo de saída do nível. Foi aqui que fui introduzido ao conceito de jogo indie e percebi que existia uma corrente de criação de jogos que seguia uma abordagem paralela ao que se verificava de forma geral nesta indústria. World of Goo, Braid, Limbo e tantos outros provaram que o futuro dos videojogos não se encontra unicamente em experiencias mais complexas e realistas, existe muito espaço para abordagens diferenciadoras, mais artísticas ou autorais. Isto marcou-me tanto que tornou-se a minha tese de doutoramento.

No extremo totalmente oposto, a série Uncharted é o paralelo em jogo dos filmes blockbuster de Hollywood. Com gráficos e detalhe inacreditáveis e uma jogabilidade divertida e super cinematográfica, sentimo-nos verdadeiros “homens aranhas – Indiana Jones” aos saltos e a trepar ruínas misteriosas (talvez daí a escolha de Tom Holland, ator de Spider Man, como o protagonista da adaptação a filme de Uncharted). Lá porque aprecio jogos mais artísticos não quer dizer que não adore também uma boa experiência pipoqueira.

Outro pequeno jogo de puzzle e primeiro jogo para smartphone/tablet que me despertou a atenção. Bolas, foi este jogo gratuito que me levou a comprar um iPad de 300€! Mais uma vez aprendi que existem caminhos alternativos, neste caso o dos jogos móveis. Não só são jogos acessíveis a um público ainda mais vasto que o das consolas como podem ter particularidades interessantes decorrentes das capacidades dos dispositivos para que foram desenvolvidos (que dispõem de controlos tácteis, sensores de movimento, etc). Foi também uma grande inspiração para começar a criar videojogos numa escala mais contida/realista para quem está a começar nesta área.

Tenho imensa inveja e admiração relativamente a Gris. Feito aqui ao lado em Espanha, é uma verdadeira obra de arte jogável que me sentiria plenamente realizado se tivesse sido eu a fazer. É um jogo incrivelmente belo como experiência audiovisual e, apesar de não ser muito inovador em termos de jogabilidade, é muito cativante e cria um resultado final de excelência. Foi um amor à primeira vista, ao primeiro trailer que vi soube imediatamente que tinha que o ter.

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