Squid Game – a série e o resto

Bem, por esta hora toda a gente já viu o Squid Game e quem não viu também já está farto de ouvir falar da série.

A Netflix está a ser processada pelo tráfego da internet ter aumentado de forma exagerada devido ao sucesso desta série Sul Coreana… as crianças um pouco por todo o mundo voltaram a brincar ao “1, 2, 3 macaquinho de chinês” e existem alguns casos de preocupação em que se decidem penalizações mais severas a quem perde o jogo… as sapatilhas Vans voltaram a estar na moda… e certamente que o disfarce mais popular deste Halloween terá sido roupa cor de rosa acompanhada por uma máscara negra!

Será que é merecida toda esta atenção?

Já queria escrever sobre isto há algum tempo. Por acaso reparei na série ainda antes de toda esta fama porque a primeira imagem com que nos presenteia no menu da Netflix é, de facto, incrível. Numa espécie de versão colorida dos quadros impossíveis de M. C. Escher vemos uma escadaria cheia de pessoas uniformizadas. Para mim, essa primeira imagem despertou-me logo a curiosidade e a qualidade do design visual da série é soberba, dos planos e cenografia até ao próprio logótipo animado.

Sou fã do célebre Battle Royalle filme japonês de culto do ano 2000 em que uma série de jovens era posto de castigo numa ilha e forçado a batalhar até apenas sobrar um. Recomendo-o muito mais do que o americano Hunger Games que certamente se terá inspirado nele. Squid Game, como é obvio, também se inspira no conceito, dando-lhe o seu próprio twist e é realmente uma série extraordinária com um sucesso mais que justo.

No início pode-se estranhar a representação um pouco exagerada, quase caricatural, de alguns personagens mas rapidamente ficamos embrenhados na narrativa que podia ser simplesmente o previsível (adultos a competir até à morte usando jogos tradicionais infantis) mas que surpreende-nos logo no fim do primeiro episódio. Depois do jogo do Macaquinho de Chinês mais sangrento de sempre, vem uma reviravolta inesperada em que os personagens têm a hipótese de sair do jogo. O quê?  Pode acabar tão facilmente assim? Mas isto só traz uma maior carga de dramatismo a tudo que acontece de seguida colocando-nos a questão fulcral de todo o enredo:

Até onde serias capaz de ir por dinheiro?

A série tem um crescendo de intensidade à medida que os participantes vão morrendo aos magotes e, apesar de toda a gente falar do “Macaquinho de Chinês”, o episódio do jogo do berlinde foi, para mim o expoente máximo de brilhante escrita e carga dramática. É, por um lado o episódio mais calmo e simples de todos mas, por outro, o mais melancólico e pesado… impossível não ficar com um nó na garganta enquanto vemos as várias duplas de amigos ou inimigos embrenhados no mais intenso jogo berlinde de sempre.

A conclusão da série inicialmente deixou-me um pouco de pé atrás pois achei que os desenvolvimentos do último episódio algo desnecessários mas, mesmo assim, não deixa de ser interessante e plantar a semente da continuação para uma nova temporada. Com o sucesso alcançado é inevitável que aconteça mas vejam lá, não exagerem a espremer as coisas como maioria das séries fazem.

A Netflix traz-nos estes fenómenos inesperados em que percebemos que existe enorme talento em qualquer ponto do mundo e nisso é uma mais valia para o panorama audiovisual, até então muito focado em séries americanas.

Mas de bestial se chega a besta

Depois dos primeiros dias de grande sucesso começam a vir os casos de preocupação de quem tenta recriar a série na vida real e de crianças que não compreendem o que estão a ver. Obviamente a série é feita para o público adulto e não deixa margem para dúvidas que só com um enorme grau de desespero alguém participaria em algo assim na vida real. Claro que as recriações da série que têm acontecido em alguns recreios um pouco por todo o mundo omitem a parte da penalização por morte e recompensa por uma fortuna mas, ainda assim, existem alguns relatos de excessos em que quem perde é agredido pelos outros jogadores… felizmente penso serem raras exceções e mostram que os  pais devem ter algum cuidado com o que os filhos vêm e conversar com eles sobre o que vêm já que a obrigação de educar é dos pais e esta é claramente uma série destinada a adultos.

Fora isso, até acho bem que o “1, 2, 3, Macaquinho de Chinês” ter voltado a estar na moda, sinceramente com os meus filhos e sobrinhos, nunca deixou de estar.

A série 5/5 – Uma das melhores séries que já vi, adorei!

A controvérsia à volta da série 2/5 – Mais do que um verdadeiro problema foi mais uma tentativa (da sociedade ou das redes sociais?) de tornar um produto de sucesso em algo polémico e problemático. Debata-se o que se tem que debater, tenham-se os cuidados que se devam ter, mas não deitem culpas a uma série de enorme qualidade como esta.

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